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História

    A doze quilómetros da cidade de Santarém, a freguesia de Moçarria está situada na margem esquerda da ribeira de Vala de Calhariz. Encontra-se num dos extremos ocidentais do município e no seu limite com o de Rio Maior. Dentro do concelho, é delimitado a norte por Abitureiras, a sul por Almoster, e em toda a sua extensão oriental por Várzea. Tem uma área de 11,950 quilómetros quadrados. Referimos anteriormente a ribeira de Calhariz. É que a abundância de água esteve na base do povoamento inicial de Moçarria. Dois ribeiros fertilizaram as terras da freguesia e concorreram para a prática de uma agricultura rentável. O ribeiro do Porto nasce nas vertentes do Bairro de D. Constança, em Tremês; o de Vala de Calhariz nasce perto da arruda dos pisões, concelho de Rio Maior.

O Topónimo da freguesia, para Albertino Henriques Barata, revela-nos um pouco da sua configuração geográfica. Anteriormente, chamou-se Monsaria, que significa monte ou outeiro. Atendendo a que eram esses, preferencialmente, os locais escolhidos pelas primeiras civilizações, não será difícil concluir pela precocidade do seu povoamento. Manuel Silva Conde, no entanto, opina de forma diferente. Na sua opinião, Moçarria provém da palavra árabe ou moçárabe "musta'tib" ou "muzarra", que significa algo relacionado com alegria. O primeiro documento escrito relativo a Moçarria data o ano de 1248. Nessa época e naqueles que se seguiram, estava incluída nos reguengos da coroa, o que significa que as suas terras fizeram parte do património real durante longo tempo. Esta freguesia foi uma das mais que sofreu com as Invasões Francesas, esse período negro da história nacional. Foi o caso do pitoresco lugar de Secorio, que viu as suas capelas totalmente saqueadas, sobretudo ao nível de imagens sagradas. Até 1922, este anexa à freguesia de Abitureiras. A partir de 12 de Julho daquele ano, foi elevada à categoria de freguesia, uma velhas aspiração local, concretizada ao desenvolvimento conseguido até aí. No mesmo ano, a 15 de Dezembro, passou a ser também sede de paróquia.

Do seu património edificado, começamos pela igreja matriz. Consagrada a Nossa Senhora do Carmo, é um templo modesto, cujas alfaias foram conseguidas graças à igreja de Salvador de Santarém. Abriu ao culto, no local onde se encontrava a antiga capela de S. Julião, em 1905, conforme inscrição na verga da porta principal. De nave única, coberta por tecto em madeira de três planos, tem altar-mor e dois altares laterais.

Ressalta do seu espólio uma tela que serve de fundo ao altar-mor e que representa o orago. Segundo diversos especialistas, é uma pintura da escola de Rafael, embora Gustavo Matos Sequeira atribua a sua "paternidade" a Vieira Lusitano. Foi doada à igreja pelo cónego António Carvalho, natural da freguesia de Abitureiras. Referência ainda para uma escultura de madeira representando Santa Ana.

Duas outras capelas devem ser visitadas no já referido lugar de Secorio. São ambas particulares e da invocação de Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora do Livramento. Têm uma história comum, que se liga inclusivamente pela data da sua fundação, possivelmente 1772.

Ainda em termos patrimoniais, passa sobre o ribeiro de Vala de Calhariz uma ponte em pedra, provavelmente de origem românica. Em tempos, aqui passou uma estrada muito movimentada.

Em termos económicos, a agricultura, a pecuária e a panificação constituem as principais actividades da população de Moçarria de Moçarria. Aliás, a cor verde do brasão da freguesia representa exatamente a importância da sua vertente agrícola. É uma freguesia que, na feliz expressão de Albertino Henrique Barata, "tem acompanhado sempre o progresso e, por esta razão, continua a ser enaltecido o seu valor por todos os povos vizinhos".

Retirado do livro: Santarém Capital do Gótico, Héstia Editores

Freguesia de Moçarria
Rua do Comércio, nº 28-A
2005-095 Moçarria
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